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Ser mãe - A importância da terapia perinatal

  • Foto do escritor: Simone Cereda
    Simone Cereda
  • 13 de mai. de 2021
  • 5 min de leitura

Atualizado: 27 de abr. de 2022

Um momento único na vida de qualquer mulher, por isso requer compreensão para ancorar seus significados. A terapia Somática em Biossíntese traz essa proposta a seu setting tera-

pêutico, ajudando a paciente na compreensão de todas as mudanças que virão com esta nova escolha de vida, ou mesmo a terapia se torna importante para atenuar ou confortar mães que se encontram em situações de desamparo ou perturbações físicas ou emocionais.

Pensar em ser mãe, sozinha ou com uma família constituída requer resignificar ou até mesmo mudar velhos hábitos.

É uma escolha que deve ser pensada desde a sua concepção, quanto aos meses que se passarão para a formação do bebê, tudo o que virá apôs o nascimento e por fim o desenrolar do desenvolvimento desta criança, pois cada uma destas fases serão decisivas para a formação deste novo ser, que um dia se tornará um adulto que irá se manifestar dentro de uma sociedade. Pois as sementes que plantamos hoje serão os frutos que iremos colher outrora.

Uma mãe bem cuidada emocionalmente e fisicamente terá suporte para compreender as reais necessidades de seu bebê e estabelecer um vínculo ritmado de amor, cuidado e carinho que trará a sensação de preenchimento tanto para a mãe como para seu bebê.

Assim sendo a escolha de ser mãe tem que estar fundada sobre bases férteis de relacionamentos construtivos, o ambiente e as pessoas que se encontram ao seu redor tem que estar em sintonia com esta decisão, pois todos os acontecimentos que esta mãe vivenciar com seu bebê, fará parte de como este irá se constituir na vida.

O cuidado com o corpo através de uma alimentação saudável e nutritiva também tem papel decisivo para a formação deste novo ser.



O texto que se segue se baseia nos estudos de Miriam Szejer, em seu livro - A Escuta Psicanalítica.

A vida no útero


Ao contrário do que se pensava anos atrás de que o bebê só manifestava vivências a partir do seu nascimento, hoje se sabe através da ciência que não é bem assim e é a partir da fecundação do feto que este já vivencia sensações em sua jornada para a sobrevivência. O próprio momento da concepção já é de suma importância para a qualidade da fecundação. Depois mês a mês seu desenvolvimento será permeado por sensações de prazer ou desprazer, cheiros, gostos, sons, luzes e cores, todo o mundo externo será apresentado a este ser através de sua mãe, e tudo o que esta vivenciar ele o fará junto. Por isso a importância da mãe estar inserida em um ambiente saudável e acolhedor.

A vida uterina é primordial e rica, ela cria nossas primeiras sensações corporais, e demonstra a vida psíquica do feto com características próprias na sua formação de relação consigo e com o meio, numa forma de consciência do self e do não-self na ausência do universo simbólico, que só se desenvolverá quando entrar em funcionamento as estruturas do córtex cerebral e sobretudo do córtex pré-frontal, que tem grande implicação no nosso comportamento social, este é o momento de crescimento mais rápido que qualquer outra fase da vida, e só será acessado mais tarde na fase adulta através das sensações, pois faz parte das nossas lembranças pré-natais ou pré-verbais, permanecendo em nossa existência de modo inconsciente.

O feto biologicamente é um ser distinto do adulto, ele traz dentro de suas estruturas cerebrais funcionantes nessa fase de imaturidade o potencial do que vão ser as funções que surgirão no adulto, ou seja existem informações no feto que o farão um "ser falante", mas as estruturas neuronais e sinápticas dependem da experiência para se desenvolverem, e quanto antes tiver estímulos com palavras, mais estruturas neurais e sinápticas se formarão. Um bebê que nasce sem ter tido estímulos de comunicação pela fala, não desenvolve a linguagem, cria-se também outro fator importante a se pensar - qual o conteúdo da linguagem que permeia este feto, lembrando que esta linguagem o influenciará por toda a vida. Por isso a importância de se preocupar como e com quem o feto está sendo estimulado através da comunicação.


A chegada do bebê - o puerpério


Hoje pensa-se muito no parto humanizado, onde ocorre uma preocupação não apenas com o bem estar físico dos envolvidos mas também seu bem estar emocional. Existe uma preocupação do pai estar presente no parto e ser participativo no papel que lhe cabe, em caso de cesária, colocar o feto no peito da mãe por alguns minutos e só cortar o cordão umbilical quando este acaba de pulsar. existe também um maior esclarecimento sobre a escolha do tipo de parto, onde o normal é sempre o mais indicado e a amamentação no peito o mais nutritivo tanto fisicamente como emocionalmente para ambos - mãe e bebê. A uma preocupação com o bem estar da equipe que irá acompanhar o parto, onde se respeita os limites dos profissionais e em caso de partos longos, ocorre a troca de turnos, estes se colocam como humanos dentro do contexto e não apenas como profissionais da saúde, isto cria um vínculo de solidariedade onde todos os envolvidos percebem a necessidade da situação e agem a favor do grupo para colher melhores resultados que por fim beneficiam a todos.

A mãe entra agora na fase do puerpério, o trabalho analítico é muito precioso neste período posterior ao parto, proporcionando uma intervenção rica, pois neste momento a maioria das mulheres apresentam o que se denomina BABY BLUES ou depressão precoce pós parto, isso pode ser relacionado ao reconhecimento mútuo entre mãe e filho, suas presenças tem que se reconhecer material e socialmente, pois o parto promove uma chegada e uma partida, um fim e um novo começo.

Do ponto de vista da mãe pode ser entendido como uma reatualização dos lutos e separações não simbolizados de sua história.

Para o bebê os 3 ou 4 dias posteriores ao parto é uma fase de transição entre sua vida pré-natal e seu advento simbólico, é um período em que ele se encontra entre seu nascimento e sua participação ativa no mundo aéreo, que passou a ser seu, é um período que pode ser chamado de "limbo" - é um tempo em que a criança está como que a espera de palavras que vão dar sentido a sua vida.

Na maternidade o sintoma é tripartile - pode ser encontrado na criança, na mãe ou no pai.

Agora vão se criar inúmeras situações para encaixar a chegada do bebê, todos os que estão a sua volta terão que renegociar seu lugar, trazendo à tona conteúdos inconscientes difíceis de imobilizar, podendo dar origem a sintomas de todo o tipo, das quais a criança se faz portadora para o resto de sua vida.

A intervenção terapêutica através da análise no pós parto deve ocorrer em seu ponto emergente, possibilitando assim uma associação espontânea da paciente, que ocorre num tempo limitado, que se passada a hora, não é "mais hora", pois esta disponibilidade de acesso aos conteúdos inconscientes é muito transitória, depois se fecha e os processos de recalcamento voltam a agir com toda a intensidade. É como se a abertura tivesse a função de transmitir os significados da história familiar a criança, que se apodera dela como lhe é passada.

O BABY BLUES é o momento linguageiro fundante que sobrevêm no "a posteriori ao nascimento" e que é totalmente específico, mas que na visão analítica é o momento tão necessário de se ter a oportunidade de falar a um ouvido disponível a ouvir.







REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

- SZEJER, MYRIAM, a escuta psicanalítica de bebês em maternidade; São Paulo; ABREP - associação brasileira para o estudo do psiquismo pré e perinatal; Casa do psicólogo, 1999.

 
 
 

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por Simone Cereda

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